O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papeis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o numero dos meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte
Cordel de Fogo Encantado
João Cabral de Melo Neto
terça-feira, 18 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
“O amor é um raro florescimento, ele unicamente pode florescer
quando não há medo. Se estamos cheios de medo, não existe
espaço em nosso corpo para o amor.” (WARAT, 2004, p.129)
Não fazia idéia, até aquele momento, que eu estava caminhando uma trilha da dependência. Pensava que tudo estava bem. Eu era, até aquele instante, o modelo de marido, trabalhador, o ser social comum.
Mas algo estava acontecendo, algo que é difícil explicar. Vivemos em nossas periferias, como afirma Warat. Então, estamos armados até pra nós mesmos. Cegos da verdade.
Não acreditava em coisas impossíveis de tocar. E tudo isso é realmente estranho, porque até então, a verdade se tornou uma inimiga. E Warat tem razão, quando você se liberta é doloroso. Não que minhas verdades não sejam convictas, ou que sejam pseudo-verdades, mas na realidade é que podemos vivê-la sem as correntes que nos trancam em nossas periferias.
Nesse momento o que arde em você, não é só a descoberta, mas é saber que dentro de você existe uma “reserva selvagem” e que não foi descoberta. E tudo aquilo que você achava que seria amor é apenas a dependência, é a genealogia da moral intitulada e tatuada em você, mas que também é um trasfer, que vai passar de gerações em gerações.
Eu falo em nosso modelo de criação. Não fomos postos à prova e nem se quer ensinados pelo amor. Warat diz que quando “orientados até o medo estamos sempre calculando, planejando, tentado fazer acordos...” (2004, p.129). E nesses acordos percebo o modelo social. Nietzsche fala, também, nessa castração. O medo é a principal arma de dominação.
E o que faço agora? Agora sinto que estou na cruz, dolorosa. Na Bíblia tem uma passagem que diz: “A verdade vos libertará.” Mas para que eu me liberte é preciso a dor, é preciso que eu morra na cruz de minhas incerteza?
Penso, exatamente agora, que você que está lendo esse texto, deve está se perguntado por que eu escrevo isso? Que tipo de loucura eu me pus? Digo que em nada. Mas hoje não vejo sentido em ser um ser igual a todos: calcular, planejar, fazer acordos.
Nesse momento, após minha leitura, percebo mais e mais que o corpo não habita em conjunto com a alma, que pra mim é a reserva selvagem. E quando a alma toma o lugar do corpo ela se torna inconseqüente. Procurar outras estradas, outras reservas selvagens.
É complicado. Mas prometo que tentaria explicar em um outro momento. Agora fica ai o enigma. Espero que quando eu voltar, volte com outras respostas ou com outros questionamentos, ou então que vocês estejam conectadas ao meu pensamento e caminhem comigo nessa busca.
Referências:
NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.
WARAT, Luis Alberto. Territórios desconhecidos: A ciência jurídica e seus dois maridos. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004.
quando não há medo. Se estamos cheios de medo, não existe
espaço em nosso corpo para o amor.” (WARAT, 2004, p.129)
Não fazia idéia, até aquele momento, que eu estava caminhando uma trilha da dependência. Pensava que tudo estava bem. Eu era, até aquele instante, o modelo de marido, trabalhador, o ser social comum.
Mas algo estava acontecendo, algo que é difícil explicar. Vivemos em nossas periferias, como afirma Warat. Então, estamos armados até pra nós mesmos. Cegos da verdade.
Não acreditava em coisas impossíveis de tocar. E tudo isso é realmente estranho, porque até então, a verdade se tornou uma inimiga. E Warat tem razão, quando você se liberta é doloroso. Não que minhas verdades não sejam convictas, ou que sejam pseudo-verdades, mas na realidade é que podemos vivê-la sem as correntes que nos trancam em nossas periferias.
Nesse momento o que arde em você, não é só a descoberta, mas é saber que dentro de você existe uma “reserva selvagem” e que não foi descoberta. E tudo aquilo que você achava que seria amor é apenas a dependência, é a genealogia da moral intitulada e tatuada em você, mas que também é um trasfer, que vai passar de gerações em gerações.
Eu falo em nosso modelo de criação. Não fomos postos à prova e nem se quer ensinados pelo amor. Warat diz que quando “orientados até o medo estamos sempre calculando, planejando, tentado fazer acordos...” (2004, p.129). E nesses acordos percebo o modelo social. Nietzsche fala, também, nessa castração. O medo é a principal arma de dominação.
E o que faço agora? Agora sinto que estou na cruz, dolorosa. Na Bíblia tem uma passagem que diz: “A verdade vos libertará.” Mas para que eu me liberte é preciso a dor, é preciso que eu morra na cruz de minhas incerteza?
Penso, exatamente agora, que você que está lendo esse texto, deve está se perguntado por que eu escrevo isso? Que tipo de loucura eu me pus? Digo que em nada. Mas hoje não vejo sentido em ser um ser igual a todos: calcular, planejar, fazer acordos.
Nesse momento, após minha leitura, percebo mais e mais que o corpo não habita em conjunto com a alma, que pra mim é a reserva selvagem. E quando a alma toma o lugar do corpo ela se torna inconseqüente. Procurar outras estradas, outras reservas selvagens.
É complicado. Mas prometo que tentaria explicar em um outro momento. Agora fica ai o enigma. Espero que quando eu voltar, volte com outras respostas ou com outros questionamentos, ou então que vocês estejam conectadas ao meu pensamento e caminhem comigo nessa busca.
Referências:
NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.
WARAT, Luis Alberto. Territórios desconhecidos: A ciência jurídica e seus dois maridos. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Desejos
Beco sem saída, estrada sem volta.
Só sinto a vontade de estar com você,
Inquieto, padeço em desejos incertos.
Perto estou à beira da loucura, querendo pular em você.
Querendo sentir você profundo e intenso,
Deitar você e sugar até o ultimo suspiro.
Fico em voltas com minha seriedade,
Mas bate o irrefreável desejo,
Esse que me põe sobre você em sorrisos misteriosos,
Suspiros cheios de vontade, olhares pedintes.
E finges não perceber que dentro de nós pode explodir
A mesma vontade latente, crescente, mestiça
A mesma vontade insasiável, cruel e inesgotável
E não sei mas de mim.
Só sei do gosto dominante
Da boca crua, nua e linda
Das pernas que me predem
Uma vontade de ser feliz
Uma vontade de ser presente
Como um menino, um libertino
Só sinto a vontade de estar com você,
Inquieto, padeço em desejos incertos.
Perto estou à beira da loucura, querendo pular em você.
Querendo sentir você profundo e intenso,
Deitar você e sugar até o ultimo suspiro.
Fico em voltas com minha seriedade,
Mas bate o irrefreável desejo,
Esse que me põe sobre você em sorrisos misteriosos,
Suspiros cheios de vontade, olhares pedintes.
E finges não perceber que dentro de nós pode explodir
A mesma vontade latente, crescente, mestiça
A mesma vontade insasiável, cruel e inesgotável
E não sei mas de mim.
Só sei do gosto dominante
Da boca crua, nua e linda
Das pernas que me predem
Uma vontade de ser feliz
Uma vontade de ser presente
Como um menino, um libertino
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Som e fúria

Parado no silencio ouço o batuque
Sinto o brilho em meio a escuridão
Com mais fúria explode do som um calor
E como um cordão de fogo, sinto o encanto
Sinto o brilho em meio a escuridão
Com mais fúria explode do som um calor
E como um cordão de fogo, sinto o encanto
A música domina meu ser
E como um corpo, se entrelaça sobre mim
Beija minha boca e não deixa meu corpo parar
E por um minuto fico anestesiado em meio à bobeira
E com um novo choque as batidas se tornam mais fortes
E agora sinto que somos um
Um som que pulsa, um fogo que queima
Um desejo descontrolado
E sinto que agora pulso no ritmo do tambor
Navego, entro e saiu entre a língua que canta
E sinto o toque das cordas que nos conectam
E agora não sou apenas um, sou musica
E sinto o toque das cordas que nos conectam
E agora não sou apenas um, sou musica
Musica que treme descompassada
Batidas que se aceleram e vibram
Seguindo o compasso de um vai e vem
Desenfreado mas ao mesmo tempo rítmico
Seguindo a intensidade que para ao sopro do êxtase final
Batidas que se aceleram e vibram
Seguindo o compasso de um vai e vem
Desenfreado mas ao mesmo tempo rítmico
Seguindo a intensidade que para ao sopro do êxtase final
terça-feira, 28 de julho de 2009
Fardo
Escravo de mim mesmo
Tornei-me ser de pele fria.
Sem ação, Sem coração
Onde os fluídos que correm em mim
Não passam de rubro temor,
Não passam de um rubro vergonhoso
Patético por não querer ser mais de mil cores.
Fluido agonizante rastejando de norte a sul sem furor
Em exaltado desespero, me vejo preso as correntes.
Então porque ter nome e sobrenome
Se apenas sou mais um
Um infeliz de pai e mãe
Que acreditou no seu algoz,
Fez-se vítima da ignorância e dos ardis.
Sou apenas mãos, guiadas para só dizer sim
Interpostas nos chão, para apenas sentir o açoite.
Descalço, para que não possa dar paços maiores.
Descalço, para que não possa saltar sem sentir espinhos.
Livra-te macambúzio dos fardos
Lembra-te de que outros sofreram
E que tu não precisas mais da cruz
A única cruz que deves carregar e da libertação
E com ela a vontade de viver, sonhar, correr.
Correr entre praias e ver o sol ficar entre amarelos e vermelhos
E depois ver no fundo do crepúsculo cada pedaço que brilha
Como um sorriso cintilante, brindando a liberdade.
Tornei-me ser de pele fria.
Sem ação, Sem coração
Onde os fluídos que correm em mim
Não passam de rubro temor,
Não passam de um rubro vergonhoso
Patético por não querer ser mais de mil cores.
Fluido agonizante rastejando de norte a sul sem furor
Em exaltado desespero, me vejo preso as correntes.
Então porque ter nome e sobrenome
Se apenas sou mais um
Um infeliz de pai e mãe
Que acreditou no seu algoz,
Fez-se vítima da ignorância e dos ardis.
Sou apenas mãos, guiadas para só dizer sim
Interpostas nos chão, para apenas sentir o açoite.
Descalço, para que não possa dar paços maiores.
Descalço, para que não possa saltar sem sentir espinhos.
Livra-te macambúzio dos fardos
Lembra-te de que outros sofreram
E que tu não precisas mais da cruz
A única cruz que deves carregar e da libertação
E com ela a vontade de viver, sonhar, correr.
Correr entre praias e ver o sol ficar entre amarelos e vermelhos
E depois ver no fundo do crepúsculo cada pedaço que brilha
Como um sorriso cintilante, brindando a liberdade.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Sem Você
Hoje bateu aquela saudade cruel
Saudade em meio uma dor de alegria
Saudade do pequeno grande príncipe
Sabia que tu não estarias mais aqui
E lembrei-me de teus olhos, como da luz do sol
Da esperança eterna e do calor
Mas nem assim a saudade se foi
A lágrima tenta correr, mas pra que correr
Se tua pressa foi quem te levou
Como numa calda de estrela, num instante
Saudade cruel, rapina, malvada
Mas a flor foi plantada em nosso mundo
Mas que não seria o mesmo sem você
Apenas um mundinho sem sentido.
E o amor que foi plantado formou raízes fortes
Regado com as lembranças de teus sorrisos
Regado com os abraços de pai, de irmão, de vida
O choro agora não para
Saudade cruel, maqueavélica
Dor que se acalma, mas não acaba
Saudade bandida.
ps.: a tempos não escrevi mas não suportei a angustia de lembrar de você Pai Mauricio, te amo paizão...
Saudade em meio uma dor de alegria
Saudade do pequeno grande príncipe
Sabia que tu não estarias mais aqui
E lembrei-me de teus olhos, como da luz do sol
Da esperança eterna e do calor
Mas nem assim a saudade se foi
A lágrima tenta correr, mas pra que correr
Se tua pressa foi quem te levou
Como numa calda de estrela, num instante
Saudade cruel, rapina, malvada
Mas a flor foi plantada em nosso mundo
Mas que não seria o mesmo sem você
Apenas um mundinho sem sentido.
E o amor que foi plantado formou raízes fortes
Regado com as lembranças de teus sorrisos
Regado com os abraços de pai, de irmão, de vida
O choro agora não para
Saudade cruel, maqueavélica
Dor que se acalma, mas não acaba
Saudade bandida.
ps.: a tempos não escrevi mas não suportei a angustia de lembrar de você Pai Mauricio, te amo paizão...
terça-feira, 21 de julho de 2009
sem titulo
"Amor é um bem que pode ser dividido em milhões de partes e doado às pessoas sem medo de exaurir-se. Quando mais o dermos, mais o receberemos, numa progressão geométrica infinita."
Inácio Dantas
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